Não aponte esta arma para sua cabeça, minha querida. Deixe que as lágrimas limpem esta idéia de você.
Ei, Jude, aprende algo com esta música. Deixe a arma de lado, deixe os amigos de lado, deixe Duarte de lado.
Você bem sabe que é um tolo,
Que finge que está numa boa
Tornando seu mundo um pouco mais frio.
E sempre que você sentir a dor,
Ei Jude, detenha-se,
Não carregue o mundo nos ombros.
Havia cinco anos que Jude sofria com aquela situação. Sempre que a via, Duarte, aquele garoto ridículo e narcisista do segundo ano, fazia o máximo para diminuir sua auto-estima. Seus amigos - ou pelo menos, aqueles que diziam ser - riam daquela situação como se estivessem num circo e juntavam-se ao coro que apontava para ela e riam de sua mágoa.
Foi num dia frio, escuro e melancólico que Jude tomou o passo decisivo para o o desejo que lhe perseguia desde o início do pesadelo. Enquanto a música de uma operetta ecoava ao fundo, Jude carregou uma arma e apontou para sua cabeça. Os olhos estavam fechados, a respiração pesada e os lábios movendo-se vagarosamente fazendo uma oração.
Mas não! Não, Jude! Não!
Ei, Jude, não fique mal,
Escolha uma música triste e torne-a melhor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário